Movimentando 167
NÚMERO 167-MAIO 2020

EDITORIAL

Na 96ª Reunião do Fórum Nacional de Secretários de Mobilidade Urbana, em videoconferência, diretor do Instituto MDT alerta sobre degradação do transporte público e quebra-quebras

O diretor nacional do Instituto MDT, Nazareno Affonso, participou no dia 12 de maio de 2020 da 96ª Reunião do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana. Pela primeira vez em 30 anos de história uma reunião ordinária do Fórum Nacional teve caráter virtual, organizada como videoconferência, que poderá ser vista na íntegra a partir de link ao final desta matéria.

Para orientar o acompanhamento da gravação, é apresentado na parte final deste texto um roteiro indicativo dos expositores principais e o exato momento da gravação em que começam seus respectivos pronunciamentos. O encontro teve mais de duas horas e meia de transmissão.

RISCOS DE APAGÃO E DEGRADAÇÃO

O ponto central do encontro foi o risco que correm os sistemas de transporte público no país em razão da queda de demanda nos sistemas, da obrigatoriedade de que os serviços sejam oferecidos em proporção muito acima da demanda e, sobretudo, a demora – e, mais do que isso, a falta de perspectiva – da vinda de recursos emergenciais para socorrer o setor até que a volta da normalidade ou o início da nova normalidade.

Sobre esse aspecto, Nazareno Affonso – que presidiu o Fórum Nacional por um mandato nos anos 1990 – fez um alerta, afirmando que o risco de apagão e a tendência de rápida degradação dos sistemas de transporte poderão suscitar ondas de violência contra os sistemas, o que acabará prejudicando a parcela mais pobre da população, que é justamente a que depende dos serviços públicos de transporte nas cidades.

Nazareno Affonso acompanhou todos os debates e fez uma série de indicações e sugestões pelo sistema de chat da videoconferência. No final, fez uma avaliação muito positiva do encontro, enaltecendo a qualidade das contribuições e dos debates. “Sugeri que todos os principais pontos deste debate sejam sistematizados em um documento que sirva de diretriz para todos os secretários neste momento difícil que estamos atravessando”, disse o diretor do Instituto MDT logo após a reunião.

ROTEIRO DE PARTICIPAÇÃO

0:00:10 – Abertura dos trabalhos, com Luiz Carlos Mantovani Néspoli, superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).

0:02:20 – Exposição de Rodrigo Tortoriello, secretário extraordinário de Mobilidade de Porto Alegre (RS) e presidente do Fórum Nacional, com intervenções esporádicas de Otávio Cunha, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

0:25:14 – Exposição de Célio Bouzada, presidente da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte S/A (BHTrans).

0:33:00 – Exposição de Fábio Damasceno, secretário de Mobilidade Urbana e Infraestrutura do Estado do Espírito Santo.

0:42:28 – Exposição de José Luiz Nakama, representando a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo.

Após a exposição de Nakama, houve abertura para perguntas e intervenções rápidas dos participantes.

1:31:00 – Exposição de Jurandir Fernandes, presidente da União Internacional de Transportes Públicos (UITP), Divisão América Latina.

1:40:20 – Exposição de Sérgio Avelleda, diretor de Mobilidade Urbana do World Research Institute – WRI.

1:53:06 – Exposição de Gilberto Perre, secretário executivo da Frente Nacional de Prefeitos (FNP).

2:01:47 – Intervenção de Rodrigo Tortoriello.

2:03:35 – Exposição de Otávio Cunha, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

2:14:56 – Intervenção de Paulo Roberto Guimarães Júnior , secretário Municipal de Mobilidade Urbana de São José dos Campos (SP) e coordenador regional do Fórum Paulista de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana.

2:17:50 – Exposição de Ailton Brasiliense Pires, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).

2:32:00 – Intervenção de Nazareno Affonso, diretor nacional do Instituto MDT.

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Nesta Edição

Instituto MDT apresenta amplo conjunto de questões nos processos de Consulta e Audiência Públicas para dois projetos no Distrito Federal: a PPP para o VLT e o Plano de Mobilidade Ativa O secretário executivo do Instituto MDT, economista Wesley Ferro Nogueira, atuando em nome da entidade, estudou toda a documentação referente a dois processos de audiência pública desenvolvidos no Distrito Federal entre abril e maio de 2020 – Consulta e Audiência Públicas sobre a PPP (Parcerias Público-Privadas) para Implantação do VLT e Consulta e Audiência Públicas sobre o Plano de Mobilidade Ativa do Distrito Federal –, formulando amplo conjunto de questões a respeito dos dois processos. Ler em página de impressão

É o fim do transporte público? Por Wesley Ferro Nogueira, economista, secretário-executivo do Instituto MDT O isolamento social produziu uma série de externalidades positivas que representou transformações muito significativas em várias partes do mundo. As cidades comemoraram a redução da emissão de poluentes, o fim dos congestionamentos nas áreas urbanas e a diminuição do número de acidentes no trânsito. Vários relatos foram divulgados ao redor do mundo com manifestações de êxtase de moradores pelo resgate de condições até então inimagináveis antes da pandemia: a possibilidade de visualizar novamente o horizonte na cidade de Los Angeles ou o entardecer em São Paulo e até o cristalino das águas então poluídas dos canais de Veneza, entre outras. Essa redescoberta da possibilidade de qualidade de vida das cidades impulsionou a tomada de decisão por parte dos gestores públicos no sentido de garantir a manutenção dessa condição na pós-crise, com diversos exemplos espalhados: Paris, Londres, Berlim, Bruxelas, Barcelona, Milão e muitas outras cidades estão estabelecendo restrições para o uso do automóvel, ao mesmo tempo em que avançam na implantação de redes cicloviárias e de mobilidade a pé como alternativas para o deslocamento seguro das pessoas. Leia o artigo na íntegra. Ler em página de impressão

Declaração de Estocolmo propõe novo esforço para reduzir à metade mortes e feridos no trânsito em uma década A Declaração de Estocolmo sobre Segurança Viária, aprovada na 3ª Conferência Ministerial Global sobre Segurança Viária, em 20 de fevereiro de 2020, na Suécia, quer reduzir à metade mortes e ferimentos no trânsito na próxima década. O encontro teve mais de 1,7 mil participantes de cerca de 140 países. Ler em página de impressão

Como parceiro institucional, Instituto MDT acompanhou a realização dos debates virtuais que marcaram o primeiro aniversário do programa Coletivo No dia 7 de maio de 2020, completou um ano de atividades o programa Coletivo de inovação, criado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) e que congrega empresas operadoras do transporte urbano por ônibus no Brasil. O Instituto MDT participa desde o início desse programa. Para evidenciar o aniversário, a NTU promoveu na tarde do próprio dia 7 de maio diversas videoconferências com especialistas e representantes de empresas envolvidos com o programa. O objetivo foi mostrar resultados do Coletivo e debater temas relacionados com a situação do transporte coletivo diante da pandemia de coronavírus. A íntegra da programação pode ser vista por meio de link ao final desta matéria. Ler em página de impressão

Blogs promoveram entrevistas virtuais com Alexandre Baldy e Sérgio Avelleda Os blogs ViaTrólebus e Diário do Transporte produziram no início de maio, conjuntamente, um web debate com a participação do secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, e do diretor de Mobilidade Urbana do World Research Institute – WRI, Sérgio Avelleda. Em 14 de maio, Baldy participou de entrevista via web comum número maior de blogueiros. Ler em página de impressão

Debate e documentos sobre os riscos envolvidos na forte redução da demanda registrada nos sistemas metroferroviários Três significativas manifestações sobre a redução de demanda nos sistemas metroferroviário foram emitidas o mês de maio de 2020. Uma das manifestações deu-se no início do mês com a participação do presidente da em uma videoconferência. Em 25 de maio, a ANPTrilhos apresentou o documento Balanço do Setor Metroferroviário no 1º Trimestre de 2020, mostrando uma redução de 31,7% no número de passageiros transportados no período em relação ao mesmo período do ano anterior. Na última semana de maio, por meio de documento com o logotipo das 43 organizações associadas, incluindo entidades brasileiras, a Associação Latino-Americana de Metrôs e Subterrâneos (ALAMYS) mostrou preocupação com o impacto da pandemia da Covid-19 sobre os transportes públicos em geral e os sistemas metroferroviários em particular. Ler em página de impressão

Com a pandemia, Brasil tem opção: promover cidades válidas, com desenvolvimento e redução de desigualdades ou manter modelo urbano atrasado e excludente. A opinião é do arquiteto Sérgio Magalhães. No final de maio, o web site do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR) publicou resenha da participação do arquiteto e urbanista e professor Sérgio Magalhães em uma das etapas do Ciclo Nada Será Como Antes, com entrevistas virtuais, promovido pelo Centro Cultural Midrash, ocorrida em 20 de maio de 2020. A íntegra dessa participação pode ser vista por meio de link ao final desta matéria. Ler em página de impressão

Instituto MDT apresenta amplo conjunto de questões nos processos de Consulta e Audiência Públicas para dois projetos no Distrito Federal: a PPP para o VLT e o Plano de Mobilidade Ativa

Em nome do Instituto MDT, o secretário executivo, economista Wesley Ferro Nogueira, estudou toda a documentação referente a dois processos de audiência pública desenvolvidos no Distrito Federal entre abril e maio de 2020.

PPP PARA IMPLANTAÇÃO DE VLT

No período de 12 de março a 13 de abril de 2020 – prazo posteriormente prorrogado para 30 de abril de 2020 – houve Consulta e Audiência Públicas sobre a PPP (Parcerias Público-Privadas) para Implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em Brasília.

Nesses processos houve a apresentação dos estudos de modelagem técnica, econômico-financeira e jurídica, e respectivas minutas de edital e contrato que subsidiarão futura licitação para contratação de parceria público-privada para o sistema de VLT.

PLANO DE MOBILIDADE ATIVA

Já no período de 11 de maio a 9 de junho de 2020, as pessoas que utilizam os diversos meios de transporte, em especial os adeptos dos “modos não motorizados”, como ciclos ou até mesmo a pé, podem contribuir com o Plano de Mobilidade Ativa do Distrito Federal. A consulta pública permite que os interessados possam conhecer a proposta e dar sugestões para o aprimoramento do Plano.

O Plano de Mobilidade Ativa é um instrumento de planejamento estratégico, que busca orientar as ações de investimentos públicos de forma eficiente e sustentável com o intuito de assegurar a liberdade e autonomia do cidadão em seus deslocamentos.

O objetivo é que os investimentos estejam de acordo com uma visão de cidade com maior número de pessoas adeptas aos modos de transporte ativo, por ciclos e a pé, pois estes, além de trazerem benefícios à saúde de seus usuários, são sustentáveis por causarem menor impacto ambiental.

QUESTÕES BEM-ESTRUTURADAS

Wesley Nogueira leu todos os documentos concernentes aos dois projetos e apresentou uma série de questionamentos à Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal.

Ao todo, os dois documentos apresentam 43 questões (27 referentes à PPD do VLT e 16 referentes à PMA do Distrito Federal); são perguntas bem-estruturadas, que permitem ao interessado enxergar novos ângulos em cada processo.

Tais indagações, consubstanciadas em dois documentos, irão ficar registradas como contribuição do Instituto MDT nas audiências e farão parte do processo documental em cada caso.

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É o fim do transporte público? Por Wesley Ferro Nogueira, economista, secretário-executivo do Instituto MDT

O isolamento social produziu uma série de externalidades positivas que representou transformações muito significativas em várias partes do mundo. As cidades comemoraram a redução da emissão de poluentes, o fim dos congestionamentos nas áreas urbanas e a diminuição do número de acidentes no trânsito.

Vários relatos foram divulgados ao redor do mundo com manifestações de êxtase de moradores pelo resgate de condições até então inimagináveis antes da pandemia: a possibilidade de visualizar novamente o horizonte na cidade de Los Angeles ou o entardecer em São Paulo e até o cristalino das águas então poluídas dos canais de Veneza, entre outras.

Essa redescoberta da possibilidade de qualidade de vida das cidades impulsionou a tomada de decisão por parte dos gestores públicos no sentido de garantir a manutenção dessa condição na pós-crise, com diversos exemplos espalhados: Paris, Londres, Berlim, Bruxelas, Barcelona, Milão e muitas outras cidades estão estabelecendo restrições para o uso do automóvel, ao mesmo tempo em que avançam na implantação de redes cicloviárias e de mobilidade a pé como alternativas para o deslocamento seguro das pessoas.

Investir na mobilidade urbana sustentável é o caminho natural para que as conquistas das cidades possam ser mantidas e para que não sejamos mais obrigados a conviver também com as milhares de mortes decorrentes dos acidentes de trânsito e dos problemas respiratórios ocasionados pela grande concentração de poluentes no ar das cidades. Se as mortes provocadas pelo coronavírus nos enchem de tristeza, aquelas outras também devem ser motivo para a nossa indignação.

Não resta nenhuma dúvida de que os modais ativos têm um papel fundamental para a qualidade de vida das cidades e que os gestores locais têm agora um importante aliado para avançar na implantação ou expansão das redes cicloviárias e de mobilidade a pé dentro da perspectiva de defesa da vida. Esse possível novo cenário tem animado os militantes da mobilidade ativa e muitos já vêem uma revolução em marcha, mas é preciso ter ponderação nesse momento quando se fala desse futuro, principalmente quando se coloca a questão do transporte público.

O deslocamento a pé ou por bicicleta é adequado para pequenas distâncias e dentro da perspectiva de integração com os sistemas de transporte público, permitindo a realização da primeira e da última milha. Considerando a organização das nossas cidades sob a lógica do grande distanciamento entre a periferia e as áreas de centralidade, imaginar que os modais ativos vão passar a ser a principal forma de ligação entre esses dois polos é desconhecer a realidade de grande parte da população brasileira.

Em que pese os riscos reais relacionados à convivência próxima de usuários dentro de trens e ônibus, e que deverão ser monitorados e eliminados, o transporte público ainda vai permanecer sendo estruturador dentro dos territórios e o principal instrumento para garantir a viagem diária de milhões de pessoas no país.

Muitas atividades econômicas ainda não serão possíveis por meio do teletrabalho. Muitos serviços informais ainda continuarão a ser realizados. Muitos deslocamentos aos equipamentos públicos ainda serão necessários. Muitas pessoas ainda vão continuar dependendo do transporte público para acessar emprego, serviços, lazer e demais atividades.

Hoje é feita uma discussão em várias partes do mundo se não haverá um deslocamento da demanda para os modais ativos e também para o transporte individual motorizado, em função dos possíveis riscos de contágio com o vírus dentro de trens e ônibus do transporte público. O poder público e/ou os operadores vêm adotando as devidas medidas sanitárias para que as viagens dos usuários possam acontecer com segurança, como a exigência do uso de máscaras e de equipamentos de proteção individual; a priorização do uso de cartões em vez de dinheiro para o pagamento da tarifa; o distanciamento no interior dos veículos; o reescalonamento de horários das atividades etc.

Além do possível medo, os privilégios concedidos aos automóveis e as atuais tarifas dos sistemas públicos de transporte também são fortes impeditivos para o seu uso pela população e esses são outros desafios para o poder público. Se as cidades ficaram muito melhores sem a circulação daquelas quantidades imensas de veículos, está na hora dos gestores implementarem medidas para a restrição do uso de automóveis, assim como está expresso na Política Nacional de Mobilidade Urbana. Tem que se aproveitar que essa recuperação da qualidade de vida das cidades ainda está fresca na memória das pessoas para que isso se consolide como atributo permanente da vida urbana.

Também é impraticável a convivência com as atuais tarifas dentro do transporte público. Deve se avançar na incorporação de receitas extratarifárias que possam contribuir para o barateamento das tarifas e, principalmente, para o financiamento completo das viagens de segmentos vulneráveis que se encontram fora dos sistemas de transporte coletivo por incapacidade econômica de pagamento. A redução das tarifas para os usuários e a implantação da tarifa zero para os segmentos extremamente pobres devem funcionar como instrumentos para a inclusão social.

Nesse momento de discussão de cenários pós-crise, há um risco nada desprezível de incentivo ao uso do automóvel, em detrimento do transporte público, com a justificativa de que seria para evitar a contaminação pelo vírus. Também não dá para reduzir a importância dos sistemas de transporte público dentro da matriz de deslocamentos modais, mesmo que seja sob o argumento da ampliação da malha ativa, que seguramente precisa acontecer, mas sem restrições ao uso de ônibus, metrôs e trens.

A tão necessária e urgente ampliação das redes cicloviária e de mobilidade pedonal, que irão criar alternativas para acesso das pessoas à cidade, não está em conflito com o investimento no fortalecimento do sistema de transporte público coletivo. Insistir na tese de que ambas as coisas são incompatíveis só fortalece o discurso da solução da mobilidade via automóveis, pois esse caminho evitaria o risco de contaminação, mesmo que outras externalidades negativas sejam produzidas. Por enquanto, mesmo com um cenário todo adverso, ainda não é o fim do transporte público.

Wesley Ferro Nogueira é economista, com pós-graduação em Gestão de Micros e Pequenas Empresas, em Marketing e Gestão Pública; foi consultor da UNESCO, do PNUD e da FAO no Governo Federal; foi Técnico de Complexidade Gerencial no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; atualmente é Secretário-Executivo do Instituto MDT e colaborador no Projeto “Pensar o Transporte Público na Cidade Planejada para o Automóvel”.

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Declaração de Estocolmo propõe novo esforço para reduzir à metade mortes e feridos no trânsito em uma década

Cerca de 1,3 milhão de pessoas perdem a vida todos os anos nas estradas como se revelou na 3ª Conferência Ministerial Global sobre Segurança Viária e é nos países de baixa e de média renda onde se concentram 90% das vítimas de lesões.

O tema foi de certa forma obscurecido pela emergência da crise sanitária da Covid-19, mas é fundamental que seja debatido. A Declaração de Estocolmo sobre Segurança Viária, aprovada na 3ª Conferência Ministerial Global sobre Segurança Viária, em 20 de fevereiro de 2020, na Suécia, quer reduzir à metade mortes e ferimentos no trânsito na próxima década. O encontro teve mais de 1,7 mil participantes de cerca de 140 países.

Cerca de 1,3 milhão de pessoas perdem a vida todos os anos nas estradas como se revelou na 3ª Conferência Ministerial Global sobre Segurança Viária e é nos países de baixa e de média renda onde se concentram 90% das vítimas de lesões.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus prometeu cooperar com os países em estratégias para alcançar a meta em ações em prol de mais saúde e segurança. Ele disse não haver desculpa para a falta de ação e pediu um planejamento dos países para uma mobilidade sustentável, com participação de governos, agências internacionais, sociedade civil e setor privado.

A declaração expressa "grande preocupação" porque os acidentes de trânsito são a principal causa da morte de pessoas entre os cinco e 29 anos. Entre 2020 e 2030 deverão ocorrer até 500 milhões de mortes e lesões no trânsito no mundo. E é este quadro que a OMS quer evitar.

LIDERANÇA

Para prevenir a situação, a conferência destacou que será preciso um maior compromisso político, liderança e ação em todos os níveis na próxima década.

O documento destaca que o impacto dos acidentes de trânsito revela que é importante considerar as necessidades das vítimas e de outras populações vulneráveis, incluindo idosos e pessoas com deficiência.

A declaração também chama a atenção para o efeito negativo dos acidentes de trânsito e os danos humanos associados para o crescimento econômico dos países em longo prazo, o progresso desigual entre regiões e os níveis de renda.

DESENVOLVIMENTO

Entre 2013 e 2016 nenhum país de baixa renda reduziu as mortes no trânsito. Para os participantes na conferência essa situação é preocupante e destaca de forma clara a ligação entre o desenvolvimento e a segurança.

A conferência destacou que a maioria de casos de morte e ferimentos no trânsito pode ser evitada mas é ainda um ”grande problema de desenvolvimento e de saúde pública com consequências sociais e econômicas abrangentes”.

De acordo com a declaração final, se esse problema não for abordado, afetará os progressos para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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Como parceiro institucional, Instituto MDT acompanhou a realização dos debates virtuais que marcaram o primeiro aniversário do programa Coletivo

O Instituto MDT participa desde o início do programa Coletivo de inovação, criado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), que congrega empresas operadoras do transporte urbano por ônibus no Brasil. No dia 7 de maio de 2020 o programa Coletivo completou um ano de atividades.

Para evidenciar o aniversário, a NTU promoveu na tarde do próprio dia 7 de maio diversas videoconferências com especialistas e representantes de empresas envolvidos com o programa. O objetivo foi mostrar resultados do Coletivo e debater temas relacionados com a situação do transporte coletivo diante da pandemia de coronavírus. A íntegra da programação pode ser vista por meio de link ao final desta matéria.

O presidente do Instituto MDT, Getúlio Vargas parabenizou a NTU pelo aniversário. Ele lembrou que o Instituto MDT se insere entre os parceiros institucionais do programa Coletivo, ao lado da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Associação Nacional de Pesquisa e Ensino em Transportes (ANPET) e Instituto de Pesquisa WRI. Entre os parceiros de conteúdo do programa Coletivo estão empresas como a Cittati e a ITTS Digital e figuram entre parceiros patrocinadores, organizações como Mercedes-Benz e a Praxio.

Membro do Conselho Diretor do Instituto MDT, o empresário de transporte coletivo por ônibus em Goiânia e Brasília Edmundo Pinheiro é presidente do Conselho de Inovação da NTU, que coordena o desenvolvimento do programa Coletivo. Ele participou do evento virtual, destacando a importância da iniciativa.

FOMENTAR A EVOLUÇÃO

O presidente da NTU, Otávio Cunha salientou no encontro virtual do dia 7 de maio que o programa Coletivo foi criado para fomentar a evolução do transporte público coletivo, visando à mobilidade sustentável nas cidades, o desenvolvimento das pessoas e da qualidade de vida.

Ele disse que o programa busca soluções para o transporte público coletivo, tendo em vista o fato de que, de modo geral, as soluções de tecnológicas inovadoras que surgem são voltadas para o transporte individual. “O programa Coletivo vem preencher essa lacuna. É uma iniciativa dos empresários do setor para buscar alternativas para esta crise que nós estamos vivendo”.

Segundo o dirigente, desde o lançamento do desse programa houve uma adesão significativa de todos os representantes do transporte público no Brasil, incluídos a indústria, os operadores dos serviços e entidades. “A própria academia recepcionou muito bem essa ideia e tem ajudado a levar a iniciativa adiante”.

Otávio Cunha sumarizou as principais ações do programa Coletivo, de modo a mostrar o êxito de cada etapa. Disse que inicialmente foi estruturado um plano estratégico que resultou no lançamento do programa no dia 7 de maio de 2019. Depois houve o engajamento de um número considerável de atores do setor, por meio de eventos, como o primeiro Desafio do Coletivo, que selecionou duas ‘startups’ para a fase de pré-incubação da qual participam no momento.

“Além disso, realizamos o Fórum de Parceiros e atraímos novos patrocinadores”, disse, acrescentando que também foi preparado um conjunto de atividades para o ano de 2020, as quais vêm acontecendo, mesmo considerando as limitações trazidas pela pandemia.

AS ‘STARTUPS’

O presidente Otávio Cunha lembrou que as duas ‘startups’ que estão na fase de pré-incubação do programa Coletivo estão desenvolvendo projetos que podem contribuir para esse momento de enfrentamento ao Covid-19.

O Grupo Areja é uma ‘startup’ criada na cidade de Salvador, no estado brasileiro da Bahia, que está desenvolvendo uma solução de ventilação ecológica para ônibus, que utiliza o movimento do veículo. É uma solução alternativa ao ar condicionado comum que visa solucionar um problema sério para muitos passageiros: o conforto térmico dentro do ônibus.

Segundo o líder da NTU, este é um sistema inteligente de circulação de ar que combina ventilação natural e artificial. Ele ressaltou que, neste momento de pandemia, quando há necessidade de distância e entre pessoas, a ventilação nos ônibus pode ser um fator efetivo. Ele acrescentou que, embora o projeto não tenha sido projetado para as condições encontradas nessa pandemia, ele é perfeitamente ajustado às necessidades do momento e contribui para reduzir o risco de propagação do vírus.

O On.I-Bus é uma ‘startup’ criada em Brasília, capital nacional do Brasil, e seu projeto é voltado para o transporte sob demanda. A solução busca um sistema complementar de transporte público, que permita ao passageiro ter mais poder para decidir sobre suas viagens, além de melhorar a eficiência da operação de transporte.

A ‘startup’ está trabalhando na idéia de software para transporte sob demanda, que, na opinião de Otávio Cunha, significa inovação para reduzir custos e aumentar a renda e o tempo de viagem.

O líder da NTU acrescenta que, no contexto da pandemia de Covid-19, também pode colaborar porque é uma tecnologia que pode ser perfeitamente usada para estabelecer serviços específicos relacionados à luta contra o coronavírus, como o transporte de profissionais de saúde em rotas especificamente projetadas.

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Blogs promoveram entrevistas virtuais com Alexandre Baldy e Sérgio Avelleda

Na primeira quinzena de maio, os blogs ViaTrólebus e Diário do Transporte produziram conjuntamente um web debate com a participação do secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, e do diretor de Mobilidade Urbana do World Research Institute – WRI, Sérgio Avelleda.

Ao publicar um resumo dos debates, o Diário dos Transportes destacou no topo da matéria o fato de Baldy e Avelleda defenderem socorro emergencial ao transporte coletivo em razão da crise de demanda provocada pela pandemia da Covid-19.

A publicação também destaca duas manifestações específicas dos convidados. “A pandemia só veio agudizar uma situação que já era difícil, de perda constante de demanda do setor de transporte coletivo, especialmente de ônibus”, disse Sergio Avelleda.

Fazendo referência ao transporte público, ao transporte coletivo, ameaçado de desarticulação por quebras e falências, o secretário Alexandre Baldy disse: “Não podemos permitir que este patrimônio público seja destruído” afirmou, lembrando que ele serve essencialmente à sociedade”.

Em 14 de maio de 2020, Alexandre Baldy participou de entrevista via web comum número maior de blogueiros.

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Debate e documentos sobre os riscos envolvidos na forte redução da demanda registrada nos sistemas metroferroviários

No mês de maio de 2020, houve pelo menos três significativas manifestações sobre a redução de demanda nos sistemas metroferroviário.

No dia 20 de maio de 2020, o presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Joubert Flores participou do programa virtual Webinar nos Trilhos, promovido pela Revista Ferroviária, que discutiu o tema Os desafios metroferroviários na pandemia.

Nesse encontro Joubert Flores explicou que os sistemas registraram uma forte queda na demanda de passageiros e na arrecadação diante da pandemia causada pela Covid-19. O setor transporta em torno de 11 milhões de passageiros e diante da pandemia está transportando pouco mais de 2 milhões de pessoas.

O encontro teve também a participação do presidente da operadora do sistema de trens na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a SuperVia, Antonio Carlos Sanches. Os trabalhos foram moderados pela editora da Revista Ferroviária, jornalista Bianca Rocha.

Durante o webinar foram abordados temas como as medidas que estão sendo adotadas pelas empresas diante da pandemia, os pleitos do setor ao governo, a redução de demanda, os impactos na manutenção dos sistemas, entre outros. A íntegra do webinar pode ser vista por meio de link ao final desta matéria.

RESULTADO DO PRIMEIRO TRIMESTRE DOS SISTEMAS SOBRE TRILHOS

Em 25 de maio, a ANPTrilhos apresentou o documento Balanço do Setor Metroferroviário no 1º Trimestre de 2020, mostrando uma redução de 31,7% no número de passageiros transportados no período em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em janeiro de 2020, houve 2,2% de passageiros a mais do que em janeiro de 2019; em fevereiro deste ano, observou-se declínio de 2,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, e, finalmente, em março de 2020, a houve redução de 31,2% em comparação com março de 2019.

De acordo com o documento mostra redução total da demanda nos sistemas de trens e metrôs do Brasil no primeiro trimestre do ano foi de 83,9 milhões de passageiros. Desse total, 82,4 milhões de passageiros deixaram de usar os sistemas exatamente no mês de março.

É de R$ 500 milhões a estimativa de queda de arrecadação de bilheteria entre 16 a 31 de março de 2020. Diante deste cenário, a ANPTrilhos está buscando apoio do governos federal e de governos estaduais para garantir a manutenção da prestação dos serviços de transporte de passageiros sobre trilhos e a manutenção do quadro de 39 mil funcionários.

Segundo trimestres de 2020 – Os números consolidados de abril de 2020 apontam uma continuidade da tendência de queda, mostrando um forte impacto na redução de passageiros transportados. Em média, os sistemas metrôs, trens e VLTs do Brasil observaram em abril redução de 77,2% de passageiros. Mantendo-se a atual situação de restrição de viagens, haverá uma queda da ordem de 70% no total do número de passageiros transportados no 2º trimestre de 2020. Veja a íntegra do documento por meio de link ao final da matéria.

ALERTA LATINO-AMERICANO

Na última semana de maio, por meio de documento com o logotipo das 43 organizações associadas – incluindo os sócios brasileiros CPTM, Metrô de São Paulo, Metrô Rio, Metrô-DF, Supervia, Trensurb, ViaQuatro, VLT Carioca e Governo do Estado do Rio de Janeiro – a Associação Latino-Americana de Metrôs e Subterrâneos (ALAMYS) manifestou preocupação com o impacto da pandemia da Covid-19 sobre os transportes públicos em geral e os sistemas metroferroviários em particular.

O documento descreve rapidamente a gravidade da situação: “A pandemia causada pelas rápidas taxas de infecção pela Covid-19 no mundo não distinguiu os seus efeitos entre qualquer modo de transporte público, e os sistemas ferroviários não foram exceção. As consequências têm sido devastadoras em todas as áreas, especialmente na área financeira, devido a perdas significativas em viagens. Em média, o fluxo diminuiu 83% nos sistemas agrupados na ALAMYS, desde março deste ano, o que veio somar-se à incerteza quanto à data em que o livre trânsito de pessoas poderia ser normalizado e, consequentemente, a demanda por nossos sistemas”.

No trecho mais forte, o documento destaca: “Advertimos, portanto, que este panorama difícil pode colocar em perigo a continuidade do funcionamento dos nossos sistemas a serviço das pessoas, ainda que os transportes públicos tenham sido o motor de mobilização para aqueles que desempenham tarefas essenciais (saúde, abastecimento, serviços básicos, entre outros), e para manter o funcionamento das cidades”. Veja o texto acionando link específico logo abaixo.

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Com a pandemia, Brasil tem opção: promover cidades válidas, com desenvolvimento e redução de desigualdades ou manter modelo urbano atrasado e excludente. A opinião é do arquiteto Sérgio Magalhães

O web site do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR) publicou resenha da participação do arquiteto e urbanista e professor Sérgio Magalhães em uma das etapas do Ciclo Nada Será Como Antes, com entrevistas virtuais, promovido pelo Centro Cultural Midrash, ocorrida em 20 de maio de 2020. A íntegra dessa participação pode ser vista por meio de link ao final desta matéria.

Sérgio Magalhães é presidente do Comitê Executivo do Congresso Mundial de Arquitetos – UIA, que seria realizado em 2020, mas foi transferido para 2021 devido à pandemia da Covid-19.

Ele diz que o tema cidade, neste momento, adquire grande relevância. E avalia que a crise atual somada a fatores históricos nos apresenta o limiar de uma escolha, principalmente no Brasil, de termos cidades que sejam válidas e instrumentos do desenvolvimento e da redução das desigualdades ou de persistirmos no modelo atrasado e excludente trilhado nos últimos 40 anos.

“A pandemia chegou num momento em que todas as estruturas que pareciam absolutamente consolidadas no mundo pediram socorro. Agora há uma brecha para que a cidade entre na pauta social, econômica e política e seja um instrumento para valorizar as questões que são necessárias para a valorização da própria humanidade e para que o meio ambiente e a desigualdade social possam ser considerados e sejam, também, iniciativas de transformação do mundo”, disse o entrevistado.

DESTAQUES

A resenha destaca esta colocação: “Atualmente temos um passivo socioambiental gigantesco, fruto de 40 anos de abandono das cidades e o mais grave é que nessa expansão, sem serviços públicos e geralmente de miséria, o Estado se omitiu e deixou espaço para a bandidagem e para milícia. Uma grande parcela das cidades brasileiras, e não só o Rio de Janeiro, se encontra fora do domínio da Constituição. E isso precisa ser equacionado”.

E mostra que Sérgio Magalhães ressaltou ainda que nos últimos 40 anos a política submergiu à hegemonia econômica e o restante passou a ser secundário. Para ele a economia não percebe que se a cidade não for desejável, qualificada e se não tiver serviços públicos disponíveis para todos, ela não rende e não será instrumento de desenvolvimento para o país e terá sua potencialidade reduzida.

Outro aspecto realçado é que o arquiteto tem esperança de que o Brasil, juntamente com o mundo, encare esse desafio e consiga reequacionar essa questão. “Se o Brasil perder essa oportunidade e não conseguir “retransformar” as cidades naquilo que elas precisam ser, vamos nos tornar um país com pouquíssima relevância, porque 85% da população mora em cidades e metade não tem acesso a serviços públicos”, ressalta.

Na construção das cidades no pós-pandemia, Sérgio Magalhães acredita que a atual geração de arquitetos tem duas grandes oportunidades de atuação: qualificar as novas moradias que ainda serão construídas e melhorar 50% das cidades que foram construídas. “As novas gerações de arquitetos estão dispostas e interessadas em atuar nas áreas pobres e ajudar a fazer com que as casas tenham outras condições, que com o Covid-19 vão adquirir relevância”, acredita.

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