Movimentando 165
NÚMERO 167-MAIO 2020

Matéria 08 de 08

MUDANÇAS

Com a pandemia, Brasil tem opção: promover cidades válidas, com desenvolvimento e redução de desigualdades ou manter modelo urbano atrasado e excludente. A opinião é do arquiteto Sérgio Magalhães

No final de maio, o web site do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR) publicou resenha da participação do arquiteto e urbanista e professor Sérgio Magalhães em uma das etapas do Ciclo Nada Será Como Antes, com entrevistas virtuais, promovido pelo Centro Cultural Midrash, ocorrida em 20 de maio de 2020. A íntegra dessa participação pode ser vista por meio de link ao final desta matéria

O web site do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR) publicou resenha da participação do arquiteto e urbanista e professor Sérgio Magalhães em uma das etapas do Ciclo Nada Será Como Antes, com entrevistas virtuais, promovido pelo Centro Cultural Midrash, ocorrida em 20 de maio de 2020. A íntegra dessa participação pode ser vista por meio de link ao final desta matéria.

Sérgio Magalhães é presidente do Comitê Executivo do Congresso Mundial de Arquitetos – UIA, que seria realizado em 2020, mas foi transferido para 2021 devido à pandemia da Covid-19.

Ele diz que o tema cidade, neste momento, adquire grande relevância. E avalia que a crise atual somada a fatores históricos nos apresenta o limiar de uma escolha, principalmente no Brasil, de termos cidades que sejam válidas e instrumentos do desenvolvimento e da redução das desigualdades ou de persistirmos no modelo atrasado e excludente trilhado nos últimos 40 anos.

“A pandemia chegou num momento em que todas as estruturas que pareciam absolutamente consolidadas no mundo pediram socorro. Agora há uma brecha para que a cidade entre na pauta social, econômica e política e seja um instrumento para valorizar as questões que são necessárias para a valorização da própria humanidade e para que o meio ambiente e a desigualdade social possam ser considerados e sejam, também, iniciativas de transformação do mundo”, disse o entrevistado.

DESTAQUES

A resenha destaca esta colocação: “Atualmente temos um passivo socioambiental gigantesco, fruto de 40 anos de abandono das cidades e o mais grave é que nessa expansão, sem serviços públicos e geralmente de miséria, o Estado se omitiu e deixou espaço para a bandidagem e para milícia. Uma grande parcela das cidades brasileiras, e não só o Rio de Janeiro, se encontra fora do domínio da Constituição. E isso precisa ser equacionado”.

E mostra que Sérgio Magalhães ressaltou ainda que nos últimos 40 anos a política submergiu à hegemonia econômica e o restante passou a ser secundário. Para ele a economia não percebe que se a cidade não for desejável, qualificada e se não tiver serviços públicos disponíveis para todos, ela não rende e não será instrumento de desenvolvimento para o país e terá sua potencialidade reduzida.

Outro aspecto realçado é que o arquiteto tem esperança de que o Brasil, juntamente com o mundo, encare esse desafio e consiga reequacionar essa questão. “Se o Brasil perder essa oportunidade e não conseguir “retransformar” as cidades naquilo que elas precisam ser, vamos nos tornar um país com pouquíssima relevância, porque 85% da população mora em cidades e metade não tem acesso a serviços públicos”, ressalta.

Na construção das cidades no pós-pandemia, Sérgio Magalhães acredita que a atual geração de arquitetos tem duas grandes oportunidades de atuação: qualificar as novas moradias que ainda serão construídas e melhorar 50% das cidades que foram construídas. “As novas gerações de arquitetos estão dispostas e interessadas em atuar nas áreas pobres e ajudar a fazer com que as casas tenham outras condições, que com o Covid-19 vão adquirir relevância”, acredita.

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