Movimentando 172
NÚMERO 172-Outubro 2020

Matéria 04 de 09

INOVAÇÃO NA MOBILIDADE URBANA

"Em 29 de outubro, o Instituto MDT participou de transmissão de vídeo nas redes sociais intitulado Papo Coletivo, do programa Coletivo de inovação da NTU

Em 29 de outubro de 2020, o Instituto MDT participou de transmissão de vídeo nas redes sociais intitulado Papo Coletivo, uma atividade do programa de inovação da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU) denominado Coletivo, criado para fomentar a evolução do transporte público coletivo, visando à mobilidade sustentável nas cidades para garantir o desenvolvimento das pessoas e da qualidade de vida. O Instituto MDT - Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos é parceiro Institucional do Programa Coletivo. A transmissão do Papo Coletivo reuniu o presidente do Instituto MDT, Getúlio Vargas Moura e o diretor nacional Nazareno Affonso. Os trabalhos foram mediados pela coordenadora de Inovação da NTU, Mariza Luiza Machado.

O Instituto MDT participou no dia 29 de outubro de 2020 de transmissão de vídeo nas redes sociais intitulado Papo Coletivo, uma atividade do programa de inovação da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU) denominado Coletivo.

Segundo a entidade, esse programa foi criado para fomentar a evolução do transporte público coletivo, visando à mobilidade sustentável nas cidades para garantir o desenvolvimento das pessoas e da qualidade de vida. O Instituto MDT - Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos é parceiro Institucional do Programa Coletivo.

AS INTERVENÇÕES

A transmissão do Papo Coletivo reuniu o presidente do Instituto MDT, Getúlio Vargas Moura e o diretor nacional Nazareno Affonso. Os trabalhos foram mediados pela coordenadora de Inovação da NTU, Mariza Luiza Machado. A seguir a indicação das intervenções ao longo do programa:

[00h 0min 30seg]–A coordenadora Maria Luiza Machado abre os trabalhos e diz que a ideia é trazer a visão dos movimento sociais sobre o tema da inovação. Ela diz que será interessante entender a visão do Instituto MDT em relação a alguns desafios que estão colocados.

[0h 02min 25seg] – A pedido da coordenadora, Getúlio Vargas Moura se apresenta.

[0h 03min 36seg] – É a vez de Nazareno Affonso se apresentar.

[0h 06min 30seg] – Maria Luiza diz que o tema do encontro é Inovação, transparência e gestão democrática – A sociedade organizada na construção de uma mobilidade sustentável e cidadã. E faz a primeira pergunta para Nazareno: Como a gestão da inovação pode favorecer uma mobilidade urbana que seja democrática?

[0h 07min 11seg] – Nazareno faz diferentes ponderações e destaca que um fator inovador para melhorar o transporte público urbano está disponível para os administradores municipais: a implantação das faixas exclusivas para os ônibus, que reverte a usurpação do espaço viário feita pelo automóvel particular, reduz o custo da tarifa e garante mais tempo para o usuário aproveitar em sua vida.

[0h 12min 45seg] – Maria Luiza pergunta a Getúlio se as novas tecnologias, em especial aquelas relativas a meios de pagamento, estariam beneficiando a população mais pobre.

[0h 13min 27seg] –Getulio assinala que as novas tecnologias cresceram de importância ao longo desta década (2011-2020) e que se trata de um recurso para melhorar o funcionamento dos sistemas e também para facilitar e qualificar a vida do usuário quando este se utiliza dos sistemas de transporte. Ele cita como exemplo o fato de que, com informações prévias, o usuário pode acessar o transporte público de maneira mais cômoda e segura. Outro exemplo: recursos como wi-fi embarcado para permite que o viajante acesse as redes para divertir-se ou mesmo estudar durante a viagem.

[0h 17min 46seg] –Nova pergunta da coordenadora: Na visão do Instituto MDT, o que falta para as pessoas utilizarem o transporte coletivo?

[0h 18min 40seg] – Getúlio Vargas fala que é preciso seguir por dois caminhos: tornar o transporte mais qualificado e garantir uma tarifa mais barata e atrativa. Também sublinha a importância de aumentar a velocidade comercial dos sistemas de ônibus, com corredores exclusivos, proibição de estacionamento nas vias onde há a circulação do transporte público. Propõe a sintonia entre operador, trabalhadores, usuários e poder público pararomper o circulo vicioso que inclui aumento dos congestionamentos, redução de velocidade do transporte público, necessidade de ampliar a frota e maior custo operacional repassado para a tarifa. Diz que há instrumentos jurídicos para base a essa busca.Sublinha a importância da criação de financiamento dos sistemas com recursos extratarifários e de haver também a aplicação de mudanças estruturais nos sistemas.

[0h 23min 28seg] –Outra pergunta da coordenadora: Como a política nacional de mobilidade urbana pode ser articulada para favorecer a mobilidade, atendendo às questões ambientais, sociais e econômicas ao mesmo tempo?

[0h 24min 45seg] – Na parte substantiva de sua resposta, Nazareno assinala que o Estado tem sido competente para favorecer o veículo individuale que mesmo com a legislação que já existe, é difícil implantar políticas que favoreçam o transporte público, pois faltam recursos. Nesse sentido, defende a proposta do Instituto MDT, de criação de um Sistema Único da Mobilidade (SUM), nos moldes do SUS, que garantiria, entre outros aspectos, a destinação de recursos para o adequado funcionamento do setor.

[0h 30min 53seg] - A coordenador convida Getulio a complementar.

[0h 31min 07seg] – Ele afirma que antes houve a ideia de um Sistema Único de Desenvolvimento Urbano, debatido nas Conferências das Cidades e reuniões do Conselho das Cidades, mas que se enfraqueceu com o fim do Conselho Nacional das Cidades e do Ministério das Cidades a Mobilidade. Com o Sistema Único de Desenvolvimento Urbano, a mobilidade seria um de quatro braços de atuação, sendo os outros a produção habitacional, o saneamento básico e gestão territorial.

[0h 35min 30seg] – A conexão de Maria Luiza Machado caiu e Getúlio passa a palavra diretamente a Nazareno que faz outras considerações sobre o tema.

[0h 37min 55seg] – Getulio retoma a palavra e destaca novamente a importância da tecnologia para qualificação do transporte.

[0h 38mn 48seg] –Já com a conexão da coordenadora restabelecida, ela pondera que o programa Coletivo tem uma configuração de hub, visando conectar os diversos agentes da mobilidade urbana o que inclui promover um diálogo aberto e constante. E pergunta: Como promover o diálogo e a participação com a sociedade civil? E ela ainda considera: “Vejo isso como um dos desafios que o Coletivo enfrenta”.

[0h 39min 53seg] – Getúlio responde afirmando que não há contradição na existência de uma operação comercial de transporte público e o que necessita a população. Diz que quando a comunidade sente que o que é público também é dela –valendo para um posto de saúde, para a área de educação e para o transporte coletivo – as pessoas cuidarão, porque sabem que necessitarão daquele serviço público. Protegerão o ônibus porque sabem que vão precisar dele todo dia. E que a postura da empresa deve ser de valorização da comunidade. Afirma que o diálogo é a melhor solução, considerando as condições concretas de cada comunidade. De todo modo, diz que é muito comum os bairros afastados receberem as piores unidades das frotas, sendo importante ver que as pessoas que moram nas áreas mais distantes precisam de maior conforto para suas longas jornadas.

[0h 44min 10seg] – Nazareno reitera que bairros afastados com muita frequência realmente recebem de modo geral os piores veículos.

[0h 48min 23seg]—Maria Luiza Machado faz um resumo de seu entendimento do diálogo. Disse ter gostado muito da definição do Sistema Único de Mobilidade como parte de toda uma cidade sustentável– com habitação, saneamento, mobilidade e boa gestão territorial. Diz que a mobilidade é um aspecto da cidade sustentável. Sublinhou a colocação de Nazareno no sentido de que infraestrutura urbana interfere diretamente em como as pessoas vão usar o transporte. Disse ter apreciado ideia de o SUM buscar um trabalho estrutural na raiz desses problemas em vez de tentar resolver os problemas pontualmente, apagando pequenos incêndios. Pontos que ela considera importante nas ideias do Instituto MDT: visão sistêmica, subsídios para qualificar o sistema, a questão das tarifas, receitas extratarifárias, a proposta do SUM que é uma das bandeiras e da infraestrura urbana como um todo. Agradece aos dois.

[0h 50min 26seg] – Getúlio reitera que não é necessário ter medo da participação popular. Afirma que quanto maior o engajamento da sociedade na formulação de políticas públicas, melhor vai ser o resultado, embora não se possa ter medo de críticas.

[0h 52min 20seg] – Nazareno afirma que quem usa o transporte público consegue entender logo as propostas de qualificação, muito mais do que quem não usa. Sobre isso, compara vivências que teve em reuniões com o movimento popular e aulas com alunos de arquitetura. E concordando com Getúlio, assinala que Instâncias de participação aceleram o processo decisórios.

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